Durante o Natal, nós terminamos por telefone, afinal, não dava mais para manter uma relação da maneira que estávamos. Mas, dias depois, voltamos e depois separamos e, por fim, resolvemos que deveríamos pensar melhor quando eu voltasse ao Brasil. Cada um foi seguindo sua vida. Como terminar estava ficando um tom muito pesado, decidimos que daríamos um tempo. Afinal, desde setembro a gente já tinha claro de que a relação já não existia mais.
E eu estava curtindo Toronto ao máximo. Essa foto abaixo não deixa dúvidas…

Estava adorando ter uma rotinha bem canadense de estudos. Vi o outono ir embora dando lugar ao inverno… Era um sonho. Além de ter tido a sorte de encontrar pessoas maravilhosas no meu caminho que são minhas amigas até hoje.
Quando voltei ao Brasil, em fevereiro, ele estava lá para me receber no aeroporto. Foi um festa imensa, minha mãe parou a aeroporto com tudo o que levou para celebrar a minha volta. Fomos todos jantar e foi aquela alegria toda e nem lembramos de que uma conversa esperava por nós.
Mas… No dia seguinte… A conversa veio e não foi das mais agradáveis. A gente chorou, foi aquela coisa toda, eu pronta para voltar e a felicidade reinar para sempre, mas no fim, ouvi o que eu mais temia: ele estava envolvido com outra pessoa. Quase morri! Mas estávamos separados e eu também tinha conhecido outra pessoa. Mas nada que tivesse me tocado. Então a matemática ficou assim: eu voltei pronta para amar e ele não. Foi um risco que eu corri. E ele não queria reatar o namoro antes de resolver esta questão. Achei digno, mas quase tive um troço.
Ao invés de esperar a decisão dele, não dei folga. Grudei igual chiclete, rs. Fui tentar lutar pelo o que queria e assim não me arrependeria pelo resto da vida. A experiência em Toronto foi tão legal que eu mais agradecia do que culpava o Jorge por ter me deixado partir. Então, não sentia que estava errada indo atrás dele.
Porém, um mês se foi e eu cansei de tentar. Cheguei ao limite do sofrimento e tentativas e disse que tudo bem, que entendia, que iria chorar no cantinho e juntar meus cacos. Todas as escolhas que fazemos na vida cobram um preço, eu estava pagando o meu. Mas não trocaria meus 6 meses no Canadá por nada. Foram intensos!
Mas, quando eu disse tchau, acabou, segue sua vida, parece que o amor bateu à porta novamente e nos acertamos. De início foi tudo maravilhoso, lindo, perfeito, mas… Com o tempo fomos entrando no antigo ritmo. Eu disse ao Jorge que tudo bem a gente voltar, mas que agora teria que ser para casar e construir uma vida juntos. Ele aceitou. Ficamos noivos mais uma vez! Começamos a organizar tudo, contratamos banda, buffet, tudo. Experimentei o vestido, mandei fazer e, quando já iria para a segunda prova, acordei, olhei para o Jorge e, do nada, eu disse:
- Você não quer casar comigo.
Ele me olhou com um olhar de: leu meus pensamentos.
Respeirei fundo e disse: você desmarcar tudo.
Foi uma coisa sem explicação. Mas eu tinha uma única certeza na vida: no dia do meu casamento, se um dia eu casasse, eu queria ter a certeza de que a pessoa estaria casando comigo, porque era o que mais queria na vida e não porque casar faz parte da vida.
E assim entramos no fim do nosso quarto noivado…
O tempo foi passando, começamos a morar juntos, mas eu fui ficando meio perdida em relação a profissão, a vida, o futuro. Entrei numa crise existencial e a coisa foi jutando ao fato de termos muitos pontos do passado que não foram resolvidos. Assim, a vida foi entrando na rotina e as mesmas manias, implicâncias, hábitos, tudo foi ganhando terreno e, quando demos conta, viramos aquele casal que mais briga do que convive. Claro que você naõ percebe isso, porque até mesmo as brigas viram rotina, então você já nem nota muito.
Até que, um ano depois, brigas e eu numa crise danada, aos 26 anos, comecei a sentir fortes dores e fui parar no hospital. Fui interenada de emergência e, ao fim da cirurgia estava sem um ovário. Para completar, descobri que tinha uma desconhecida morando em mim: a endometriose. Para quem tiver interesse, aqui neste post eu conto como decobri que sou portadora de endometriose. Dali pra cá a batalha começou, mas eu não podia me estressar que morria de dores. Além de todos os males, a doença traz também uma oscilação de humor sem igual. E, isso, unido ao fato da relação ser nova, mas já com um histórico antigo, foi tudo ficando cada dia pior, até o dia em que eu vi a entrevista de um psicólogo na TV falando sobre terapia de casal. Na hora, senti uma empatia. Mas anotei o telefone e guardei. Quem sabe um dia?
A vida seguiu com aquela esperança de casal de: daqui a pouco a relação melhora. Mas nada de melhorar. Até que viajamos para NY, como fazíamos sempre, mas foi uma experiência nova: a cidade que tanto gostamos foi palco de um monte de discussão. Aquela coisa de sentimento guardado que faz um comentário ingênuo virar um fogueira.

Na volta ao Brasil, tentei resgatar a relação, achei que as coisas voltariam ao normal, a gente se amava, mas o amor estava sendo consumido pela rotina. Lembrei do psicólgo. Liguei correndo sem nem perguntar ao Jorge se ele toparia. Estava tudo tão confuso que eu estava decidida a terminar a relação.
Carreguei o Jorge para lá dizendo que não estava indo lá para buscar uma solução, mas para que tivéssemos um fim digno. Passamos muitos anos juntos e eu não queria que terminasse com raiva um do outro. Queria um fim de relação com respeito.
E, posso dizer, que o terapeuta foi um enviado por Deus. Não só para a relação, mas para eu voltar a me encontrar como pessoa. Eu sofria muito com muitos sentimentos, inclusive com o fato de ter perdido um ovário, de me sentir menos mulher. Tudo isso afetava a relação… E, de alguma maneira, eu descontava no Jorge. Para completar, descobri um detalhe sobre a minha personalidade que mudou toda a minha vida…