Terapia de casal assusta, em especial o homem. Mas, neste ponto, o Jorge foi super parceiro e aceitou. Mas, acho que foi com tanta facilidade, porque estava querendo mesmo é ver o fim de toda aquela agonia que o nosso relacionamento tinha virado.
Já eu fui para o terapeuta para ouvir alguém dizer para o Jorge que eu estava certa e que tinha feito tudo o que era possível para salvar o nosso relacionamento.
Queria alguém que mostrasse para ele que o nosso amor era lindo e que ele estragou tudo. Eu tinha a certeza absoluta de que ele iria fazer com que os olhos do Jorge se abrissem e eu poderia sair daquela relação com a consciência tranquila, porque eu tinha feito o que era melhor para nós.

Ao fim do post tem o link para ver o vídeo com a nossa entrevista sobre terapia de casal para o site do Fantástico.
Primeira sessão de terapia:
- Por que vocês resolveram fazer terapia?
- Porque eu quero ter um fim digno – respondi cheia de autoridade.
O Jorge ficou calado quase a sessão inteira, mas isso já era de costume no nosso dia a dia. Eu falava, falava, falava e ele, no fim, fazia tudo do jeito que ele queria.
Ao fim de quase 40 minutos jogando tudo o que eu estava entalada há anos, eu só esperava pela próxima consulta para falar mais algumas boas verdades para o Jorge, mas o terapeuta disse algo assustador:
- Agora é a minha vez de falar. A terapia de casal funciona da seguinte maneira, vocês vão vir separados.
- Como???
Na hora passou tudo pela minha cabeça, até mesmo a ideia de que ele estava querendo ganhar mais cobrando de duas pessoas.
- Sei que vocês devem estar achando estranho, mas para tratar o casal, primeiro eu preciso tratar cada um como indivíduo. Quando você está bem com você, acaba sendo melhor para o outro.
Saí da sala meio desconfiada e frustrada, mas acho que o Jorge saiu aliviado. Eu ia parar de apontar tanto o meu dedo para os erros dele. Porque a minha ideia era: eu iria reclamar do Jorge, o terapeuta entenderia, me daria razão. Aí, magicamente, ele transformaria minhas palavras em um idioma que o Jorge ouvisse e pronto, ele mudaria as atitudes = tudo seria perfeito! Mas, claro: perfeito da minha ótica, rs.
Mesmo contrariada, aceitei começar a terparia. Com muita habilidade, o terapeuta foi me fazendo enxergar certas coisas ao meu respeito que me assustavam. Eu sou prática e acredito na terapia, então foi muito fácil enxergar certas características minhas e, os resultados eram visíveis no nosso dia a dia. Mas o Jorge nada. Ele tem outro tempo, é mais fechado. Resumindo: é homem. Aí, eu comecei a mudar e ele não. Rolou um desequilíbrio. Aí fui reclamar com o terapeuta:
- Não estou entendendo. As coisas estão ficando piores. Eu melhoro e ele só aí, fazendo no tempo dele???
O terapeuta ouviu, ouviu e ouvir e por fim disse algo assustador: você tem muita expectativa.
Glup! Como assim, desde quando ter expectativa é algo negativo? Não tomei como ofensa, mas fiquei chocada enquanto ele continuava:
- Você espera demais do outro, de você, dos resultados. Vocês espera muito do outro, mas muitas vezes o outro nem sabe que você está esperando aquele comportamento dele. Ninguém consegue adivinhar, você precisa dizer o que você quer, o que você espera do outro. Seja clara.
Eu fui embora em choque. EXPECTATIVA.
Eu realmente tinha uma expectativa imensa em relação a tudo na minha vida. Eu já começava a fazer as coisas pensando no resultado magnífico que eu teria ao final. Era bom, me ajudava a ter gás na caminhada, mas, geralmente, ao fim, as coisas acontecem como ela tem que ser e não como a gente quer. Fui dirigindo e pensando em tudo na vida que eu fiz e carregava uma frustração imensa, pesada. Quilos estavam nas minhas costas me fazendo enxergar como a minha vida poderia ter sido muito menos dolorida se eu não tivesse colocado tanta expectativa em vários projetos. E, em especial, na minha relação…
Então, como a minha expectativa imensa se aplicava no relacionamento?
O lance era que eu esperava muito do Jorge. Ele dizia não, mas eu achava que em algum momento, se eu ficasse falando bastante, ele iria mudar de ideia.
Outras vezes, eu esperava que ele agisse de determinada maneira ou fizesse tal surpresa, mas não avisa a ele, claramente, o que eu esperava, aí, ele não agia, ou simplesmente não fazia nada, porque não sabia exatamente o que eu esperava.
Parece um detalhe muito bobo da relação, mas é o estopim de tudo: a mulher tem muita EXPECTATIVA. Toda mulher. A gente espera que a vida vá ser aquele comercial de margarina, mesmo sabendo que não será. A gente espera, lá no fundo, ou dá bem na cara mesmo, que a relação amorosa vá preencher um vazio que temos. A gente acha que o outro vai nos resgatar e que a rotina do casal será fantástica. E, quando a relação começa a mostra que é de verdade, que o outro mostra que não é príncipe, que não é dono de um castelo, você começa a ver suas expectativas serem transformadas em frustração.
Tem mais 3 pontos mágicos que eu aprendi na terapia, mas vai ficar para um post só sobre relacionamento, pode ser? Na verdade, eu acho que eu tenho que escrever um livro sobre “Como salvar seu casamento e viver como namorados? Pergunte-me como.” Quando estámos com uns 10 anos de namoro, eu tinha ódio do Jorge e ele, certamente, de mim. Mas, algo dentro de nós foi mais forte, algo chamado amor. Que não tem nada de frio na barriga. O amor é aquele peão de obra, sujo, feio, mas é ele quem constrói a sua casa.
Nossa história de superação já correu o mundo e o site do Fantástico convidou a gente para dar falar sobre a nossa experiência e ilustrar o lançamento do filme ”Um divã para dois” aqui no Brasil. O link para o vídeo: clique aqui. A gente só começa mesmo a falar em 00:50.
E, semana que vem, é o último capítulo da série. Acho que vai ser um texto super longo. Mas vai ter um PLUS. Convenci o Jorge a falar sobre o lado dele. Vamos ver o que ele vai escrever… Medo! rs












